GESTÃO URBANA E A FORMAÇÃO DE REDES
08/10/2006

Ao realizar uma pesquisa sobre o PLANEFOR – Planejamento Estratégico da Região Metropolitana de Fortaleza, constatei que as pessoas entrevistadas, todas participantes ativos da iniciativa, indicavam como resultados positivos os aspectos simbólicos, representados pelo exercício da cidadania, que representava o estágio básico para tornar o território um ambiente saudável e potencialmente viável.

Assim, na opinião dos entrevistados, o PLANEFOR representou para a RMF um espaço de mobilização da sociedade, que a partir dali conseguiu disseminar conceitos para soluções de problemas da Região Metropolitana de Fortaleza, muito mais do que a concretização de projetos.

O Planejamento Estratégico de Cidades, apesar das críticas ideológicas que ao meu ver têm sentido, teve a vantagem de ressaltar um ponto crucial nestes novos tempos: a constatação de que é impossível atribuir à administração pública a exclusividade de determinar os destinos de uma cidade.

No ensaio “Do Planejamento à Gestão Estratégica das Cidades”, Pascual Esteve revela os resultados de pesquisa realizada com 19 coordenadores de planos estratégicos territoriais na Província de Barcelona, mostrando que o ficou de relevante foi a dinâmica das relações e a colaboração entre os atores urbanos, que permitia, entre outros temas, que as administrações locais liderassem a gestão global de suas cidades, muito além de suas competências e recursos.

Embora seja enfatizada a colaboração entre o setor público e o setor privado, fica bastante evidente que a principal satisfação dos coordenadores de planejamentos estratégicos foi a participação dos cidadãos, apontada como a preocupação mais presente nos processos.

Em face dessas constatações, e independentemente de se realizarem planejamentos estratégicos, o que se está indicando é o desenvolvimento de um novo modelo de administração urbana, definida como “gestão relacional ou gestão de redes”.

É, em outras palavras, a criação de uma cultura de confiança e cooperação entre os atores urbanos, para obter o desenvolvimento integrado das cidades.

As redes representam a nova morfologia das sociedades, modificando a lógica até então dominante de operação e resultados dos processos produtivos, bem como da experiência, do poder e da cultura, conforme Castels.

As redes são formas abertas que podem se expandir de forma ilimitada, podendo assim contar com novos nós desde que eles possam comunicar-se dentro da rede através de códigos semelhantes, o que caracteriza o compartilhamento de valores e objetivos de desempenho.

Nessa visão, a estrutura social, nas sociedades contemporâneas, se baseia em um conjunto de atores econômicos, sociais e institucionais que estão conectados, fazendo com que ninguém mais tenha exclusividade sobre o seu desenvolvimento, pois as responsabilidades estão cada vez mais descentralizadas e compartilhadas.

Daí porque o conceito de redes precisa ser incorporado na gestão das cidades, com a administração pública realizando o papel de promotora de um projeto de governo capaz de dar respostas globais às necessidades da cidade, estimulando a formação dos elos entre especialistas de diversos temas. Estas redes. se bem dirigidas e conectadas, se tornariam um instrumento vital para o desenvolvimento urbano.

No caso de Fortaleza, bastaria aproveitar as redes que se formaram nos grupos temáticos do PLANEFOR, tendo o cuidado de fazer com que eles sejam compostos de representantes de todos os segmentos da comunidade local.

Professor da UECE, Mestre em Administração, Doutorando em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional e Diretor do IDESCO – Instituto Desenvolvimento, Estratégia e Conhecimento.



Autor: HERMANO JOSÉ BATISTA DE CARVALHO
Mestre em Administração de Empresas, pela USP e Doutorando em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional, pela Universidade de Barcelona (Espanha)

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